Enchi o saco mesmo de alguns discursinhos prontos e teorizações sobre novos meios digitais. O que os textos mandam dizer sobre os mesmos eu já sei. Creio agora que falta um pouco de sinceridade na posição de usuário comum do ambiente virtual. A pergunta é velha, mas a resposta minha é um pouco diferente e tem a ver com esse recurso que estou tentando manter vivo.
O que é blog?
Tempo para visitante responder. Sugestão de trilha sonora: tango Adiós Nonino, do argentino Astor Piazzola. Drama. Nada daquele: “é-como-se-fosse-um-diário-na-internet-em-que...” e aquelas abobrinhas todas.
Eu tenho uma definição que muitos podem não gostar principalmente se você tiver um: (o Adiós Nonino toca a sua parte mais dramática) troço chato que a gente visita lááááá de vez em nunca. E quando retornamos trocentos anos depois (quando isso acontece), tá tudo na mesma. Poucos comentários. Muitas vezes, nenhum. Quase sem postagens novas.
Pronto, falei!
É assim com 98,9% da lista de páginas desta espécie que eu conheço e visito. Olha que eu acesso esse tipo de página aos montes! Isso é o que dá ter excesso de tempo livre. Quando eles explodiram - ou seja: tudo que era telejornal fazendo pauta "o que é blog? Dona Adelaide tinha um diário quando era jovem e hoje vê a filha registrando tudo no computador aos olhos do mundo inteiro" - muitos fizeram os seus incluindo aí empresas. Acreditava-se que seria um canal de comunicação diferenciado que aproximaria ainda mais o consumidor ou cliente do núcleo administrativo de uma companhia ou da redação de meios de comunicação.
Os cases de sucesso foram poucos. Algumas empresas não souberam utilizá-lo de forma eficiente. O fracasso se deu também com a criação de perfis (inativos) na Vila Orkut, no Jardim Facebook ou no Twitter Executive Center. As tentativas de movimentar alguns deles ou soavam forçação de barra para mostrar que estava-se conectado com as tendências do ambiente digital ou beiravam a superficialidade. Se bem que uma coisa complementava a outra.
Aliás, a criação desses perfis corporativos só serviam para encher as caixas de e-mails de profissionais da mídia que toda hora recebiam mensagens de assessores de imprensa dizendo que o cliente X ou Y criou perfil em tal rede social. Alguns blogs foram abortados e alguns ainda sobrevivem muito mixurucas, sendo bem piedoso até, com uma repercussão aquém do que era esperada na época da criação da mesma. Verdadeiros heróis da resistência.
Claro que existem exceções. Conheço blogs de alguns jornalistas (famosos, é verdade), novelistas e outros de ONG’s que valem a pena mesmo tanto que sou comentarista assíduo. Principal atrativo: renovações constantes de conteúdos, por mais que estas sejam “acordei emputecido da cara hoje” ou “Bom dia Dona Pedra! Bom dia Sol! Bom dia Lua!” ou ainda “Senador morre (aeeee!), pena que seja nos Estados Unidos (óóóóó!)”.
O primeiro blog que eu me lembro que me chamou a atenção foi a da cobertura da gravação da polêmica cena em que a personagem Fernanda (Vanessa Gerbelli) era vítima de bala perdida pelas ruas do Rio de Janeiro em Mulheres Apaixonadas (2003) de Manoel Carlos recentemente reprisada. Minuto a minuto, eram colocadas fotos e informações do que estava acontecendo naquele momento em que mais de mil pessoas acompanharam as gravações no local. Era algo inovador para aquela não tão distante época.
Mas como eu disse, qualquer um que venha a me exemplificar blogs para tentar derrubar o meu humilde desabafo não são regras, mas sim EXCESSÕES. O erro ortográfico foi em homenagem à Sasha Meneghel, alfabetizada em inglês. Quem? Tá, é a filha da Xuxa. Não entendeu patavinas? Clique aqui para que eu possa seguir o baile!
Daí o nobre visitante me pergunta: tá Nobre, se tu achas tudo isso, porque criaste um e não ficaste lá no teu Twitter? Para bem dizer a verdade, não sei. Não tenho pretensão que este repercuta muito senão cuidaria mais do conteúdo. Na real, este blog poderíamos chamar de Fênix, pois ressurgiu das cinzas (dããã!) depois do blogcício cometido em 2007. Tanto que assim que eu redescobri que eu tinha um blog no ar com um único post naquele ano, olhei, parei e pensei: agora vai! Devagar e sempre, mas agora vai!
Sabendo do problema de desatualização constante, resolvi instituir para eu conseguir dar uma periodicidade de atualização dele o QUINTA-NOBRE, O POST ‘DE QUINTA’ DO NOBREZITO. Uhuuu! (Adiós Nonino pega na sua parte mais suave) O relógio quase marca meia-noite. Portanto, é quase sexta-feira. Vamos dar um desconto e dizer que hoje é ontem, independente da data que este blog indicar na postagem?
É quinta-feira porque minha mente, minha psique quer que seja quinta-feira. Eu POSSO isso. Eu QUERO isso. Calma, não é prepotência não! Pude escrever essa meu ataque de querer é poder depois de cansar de ver a capa do livro que quero comentar com vocês agora: O VENDEDOR DE SENHOS – O CHAMADO de Augusto Cury.
Se vou fazer resenha de um livro? Não, pois aprendi que geralmente resenha se faz depois de conhecer de perto o material, seja ele livro, filme... e O VENDEDOR DE SONHOS – O CHAMADO fez eu conhecer um Nobrezito novo: o que não consegue ler um livro até o final por mais ruim que esteja achando ele.
Sério gente, eu ERA uma pessoa que pegava uma história e mesmo sendo chata ao quadrado, ia até o fim para ver onde que dava. Mas desta vez, o Doutor Cury tá me vencendo no cansaço. Ganhei o livro de uma amiga da minha família em janeiro e desde lá – sim, acredite - desde lá tento acabar de ler o livro. Fico temeroso em saber da reação dela quando descobrir que não curti muito o presente, mas é bom abrir mão de vez em quando do politicamente correto para compartilharmos algumas ideias. Meu conceito com ela não caiu nem um pouco, pois sei de várias pessoas que ela alfabetizou bem na qual, infelizmente, não faço parte desse grupo.
Ontem, não conseguindo dormir, peguei o livro e li quatro páginas. Anteontem fiz o mesmo e foi meu sonífero. Em uma viagem de ônibus em Porto Alegre, quando me dei por conta, tava eu de boca aberta, babando no busão e por pouco não roncando em mais um dos trechos em que estavam todos os personagens perambulando pelas ruas da cidade seguindo o misterioso “mestre”.
Autor ruim? Livro péssimo? Tenho minhas dúvidas em afirmar isso. Até mesmo perigoso classificá-lo com tão baixas considerações. Não embarquei no sonho a que o escritor se propõe. Até me surpreendi pela minha resistência já que eu adoro compactuar com a ficção quando ela quebra a lógica em prol de emoções fortes entre as personagens. Achei genial no início da trama quando o mestre salva um homem do suicídio que eles se encontram com a imprensa e começam a dançar no meio da rua junto até mesmo com jornalistas, como em uma confraternização. A ideia foi ótima, mas acredito que as palavras foram mal escolhidas para apresentar ao leitor aquela “viagem” cuja mensagem até que consegue ser passada na reflexão posterior sobre o que significava tudo aquilo como todo bom psiquiatra.
O Nobrezito não gostou. Já os brasileiros, em geral, têm se mostrado simpáticos a esse tipo de texto que me causou sonolência e antipatia não mais possível de esconder. O livro de Cury propõe que o leitor sonhe. Sonhe alto. Que lute em busca de seus sonhos e até mesmo repense os seus próprios valores. Ele é esperto ao mostrar personagens com conflitos que tem grande probabilidade de serem os mesmos dos consumidores de livros no Brasil.
Deduzo isso pelas inúmeras semanas que vejo o nome AUGUSTO CURY no ranking de livros na Veja. Nesta semana, por exemplo, ele figura na sexta e sétima colocações na categoria ficção com os dois volumes de O VENDEDOR DE SONHOS que nesta semana é liderada por A CABANA de Willian Young.
Quase dez milhões de livros vendidos nesta década tem o médico psiquiatra brasileiro. É louvável que ele venha a trazer de seu campo de atuação conhecimentos – mesmo não tão explicitados assim – para a ficção (sinceramente, beirando a auto-ajuda) para que não fique restrito ao cercadinho de quem fala psiquiatrês.
O que eu quero dizer, Nobre visitante, é que se você quiser ser meu mais novo nobre inimigo, me mande o outro livro da série O VENDEDOR DE SONHOS ou me envie aqueles “discretíssimos” carros de mensagem ao vivo que trato de contratar os serviços daquela firma recém-aberta em sociedade pela Tia Naza, Flora e Yvone para retribuir o presentinho ao infeliz (risos!).
E se o Augusto Cury vende, tem público e leitores que se sentem bem com esse tipo de leitura, melhor para eles. Mas não poderia deixar de fazer todo esse debafo sobre este best seller (nome inglês metido a besta que adotaram no Brasil para denominar livros bem vendidos) depois que li reportagem na revista Veja, da Editora Abril, sobre o autor. Para fazer sucesso, pagava-se um preço que hoje ficou bem mais caro por causa dos blogs e, atualmente, o Twitter Executive Center: não ficamos mais apenas em contato com a opinião de quem escreveu a resenha. Vou parar por aqui senão vou adentrar para aquelas discussões acadêmicas sobre redes sociais em uma linguagem típica daquele meio: só eles entendem! Sei disso porque já fiz parte... hehe!
Aliás, Gigi ficou com curiosidade sobre o livro e deu uma tentiada no livro aqui falado. Olhem abaixo o resultado.
Vou até dar uma pesquisada depois de postar isso tudo para ver se Augusto Cury tem blog. Se positivo, espero que atualizado ou ao menos surpreendente. Afinal, blog é um troço que PODE ser chato sim... dependendo de quem posta. Senão, como diria a música da Rita Lee que já foi pro mesmo caminho: “tudo vira bosta!". O Adiós Nonino já havia acabado faz tempo!











